Desenvolvimento socio-económico de Moçambique nas garras do capitalismo neo-colonialista

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Sifuna Zonke
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Jan 23 2008 07:38
Desenvolvimento socio-económico de Moçambique nas garras do capitalismo neo-colonialista

Por Boaventura Monjane (Maputo)

Depois de cerca de 500 anos da presença (colonial) de Portugal no país, Moçambique proclama a sua independência a 25 de Junho de 1975. Contudo, a presença imperial de Portugal e do resto do mundo ocidental sempre se fez sentir, através da forma neo-colonialista, não apenas na política como, e sobretudo, na vida económica do país. Aliás, Moçambique não é o único em que esta situação se nota no período pós-colonial; em vários outros países africanos, se não em todos, tal situação prevalece até aos dias que correm. Não é difícil entender o que estamos a dizer.

Entendendo o neo-colonialismo como sendo o poder branco (ocidental) com face negra (africana, neste caso) é demasiado simples compreender a vontade que os antigos colonizadores, através de novas estratégias, têm de manter um controle da economia que define as limitações do poder político africano. O crescimento e a efectividade da resistência africana à opressão e exploração europeia eventualmente obrigou a que o domínio colonial directo fosse impossível. Esta resistência fez com que o imperialismo europeu disfarçasse seu domínio e exploração, adaptando-o em uma nova forma de domínio (colonial) indirecto. Esta situação sufoca a liberdade política e económica dos países e o desenvolvimento socio-económico de Moçambique é afectado de forma visivelmente prejudicial. É que não são os moçambicanos quem define o ritmo e a velocidade do seu desenvolvimento e crescimento económico.

O capitalismo crescente, um regime no qual o poder político dos líderes africanos está totalmente dependente dos detentores de capitais, que são na sua maioria europeus, americanos e, actualmente, cada vez mais chineses, tem estado a pressionar no sentido de privatizar todo o tipo de empresas e instituições, desde as de produção até as de prestação de serviços, como se essa fosse a forma ideal para acelerar o desenvolvimento de África. Mas, quando se pretende que a privatização de todas as áreas económicas ponha o país a salvo do poder estatal, esconde-se que o verdadeiro problema está no monopólio ou oligopólio, que transfere o poder de mãos do estado para mãos de um para-estado manejado, não mais por uma minoria burocrática (que é a característica da maioria dos governos dos países africanos) senão pela minoria particular que aumenta o processo de concentração. Esta minoria particular é, em última instância, o imperialismo capitalista. Isto tem caracterizado Moçambique desde que proclamou a independência até à actualidade. Os nossos dirigentes esquecem-se que a organização social requer um tipo avançado de coordenação a salvo de toda a concentração de poder, seja esta privada ou estatal.

Mas, em volta deste enredo, verifica-se uma cumplicidade por parte dos nossos governantes em Moçambique. Na essência de seus actos e discursos pode-se notar o excesso de dependência externa, que se manifesta pelo crescente estender da mão. Mas até quando, afinal, este imbróglio? Mais não dizemos.